A construção desta página faz parte da segunda avaliação
do curso CHUCOL da Universidade de Cambridge. Eu chamo-me Paul Castro e estou a fazer o meu doutoramento no departamento de Estudos Espanhóis e Portugueses na faculdade de Línguas Modernas e Medievais.
O tema da minha pesquisa é a representação da cidade na literatura (interligando
o cinema e a fotografia). actualmente debruço-me sobre Balada da Praia dos Cães do romancista português José Cardoso Pires.
Esta página propõe dois capítulos-chave para a compreensão
da representação da cidade de Lisboa nesta obra. No geral, este site visa indicar maneiras de pensar a representação da cidade pode ser representada na
literatura e neste romance de Cardoso Pires em particular. A Balada da Praia dos Cães passa-se na Lisboa
dos anos 60, época no qual o país estava sob o controlo do régime fascista de Oliveira Salazar. No
romance de Cardoso Pires, o narrador descreve assim a cidade na altura:
«Mas atenção, aviso. Lisboa, esse vulto constelado de luzes frias do outro lado do rio é
um animal sedentário que se estende a todo o país É cinzento e finge paz. Atenção, achtung.
Mesmo abatido pela chuva, atenção porque circulam dentro dele mil filamentos vorazes, teias de brigadas de
trânsito, esquadras de polícia, tocas de legionários, postos da GNR, e em cada estação
dessas, caserna ou guichet, est´ a imagem oficial de Salazar e bem á vista também há filas de retratos
de políticos que andam a monte. O perímetro da capital está todo minado por estes terminais, Lisboa é
uma cidade contornada por um sibilar de antenas por uma auréola de fotografias de malditos com o Mestre da Pátria a
presidir»
Nesta citação, que descreve a cidade entrevista por duas pesonagens evadidas da Forte Militar de Elvas ao chegar à vila
de Barreiro na outra margem do Tejo, encontramos o essencial da representação de Lisboa. Um espaço social definida
por uma morosidade e uma inércia impostas pelo régime como meio de controlar a população. Apesar da calma
superficial, é um espaço saturado de vigiância da parte do poder, donde a liberdade foi, sem alardes,
sistematicamente exterpida.
Como funciona esta página
Nesta página, conforme podem ver na barra de navegação (que se encontra na parte de baixo de todas as páginas deste site) encontrarão uma biografia do autor e um sumário
da Balada da Praia dos Cães, que visam estabelecer um contexto para esta página e a minha pesquisa. de seguida há dois capítulos-chaves do
romance para lerem. Na transcrição do texto encontrarão links que remetem para três destinos possíveis. A escrita de José Cardoso Pires,
como a de Graham Green, autor pelo qual Cardoso Pires nutria uma grande admiraç˜o, tem sido muitas vezes qualificada como 'cinematográfica'. Na maior parte das
vezes este comentário tem sido inexplicado, insubstanciado e algo vago. Maria Lúcia Lepecki (1) é talvez a única que se debruçou
sobre este assunto de forma profunda e productiva. No seu entender, Cardoso Pires, com a sua secura substantiva e utilisagem hemingwayesca de linguagem coloquial, procura fazer o leitor
"ver" e "ouvir" pela leitura. com os recursos multimediáticos ao meu dispor, tentei auxiliar este esforço em incluindo fotografias que tirei dos lugares retratadas, imprimidos e passados no scanner de maneira 'inacabada' afim de imitar a apreensão escópica do passante na cidade, e gravações
de algumas falas e frases em registo coloquial (tendo em mente estudantes estrangeiros que, ao contrário dos portugueses, possam não conhecer a cidade)
Além disso encontrarão links temáticos. O tericeiro conjunto de links remete para os demais rúbricas que têm a ver com a representação da cidade na Balada da Praia dos Cães, precisamente
'metaficção historiográfica', 'romance policial' e 'o quotidiano'. Esta teia de links não está 'explicada', funcionam como passagens subterrâneas e cabe ao visitante acarear os
fragmentos ligados e estabelecer uma conex;ão intellectual. Espera-se que a navegação dentro e para fora do site seja fácil, de maneira
que ligaçoes imprevistas por mim possam ser estabelecidos pelo vistante, engrossando a teia existente ao nível individual. Para esta fim, no futuro viso incluir um fórum para possibilitar uma troca de ideias entre todos.
Obrigado à Susana, por se ter esforçado a ajudar-me a traduzir o meu porugu&ecic;es para português. Qualquer erro que subsiste, contudo, é da minha responsibilidade. E obgrigadíssimO ao meu Pai por ter emprestado os seus dotes de actor radiofónico. (1) Maria Lúcia Lepecki (1977), Ideologia e Imaginário: ensaio sobre José Cardoso Pires
Lisboa: Moraes Editores
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